Em A Tempestade, Shakespeare aproxima a brevidade da vida da natureza passageira dos sonhos - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Citação do dia de William Shakespeare, poeta e dramaturgo, em A Tempestade: “Somos feitos da mesma matéria dos sonhos”

Poucas falas do teatro atravessaram tantos séculos quanto a de Próspero no quarto ato de A Tempestade. “Somos feitos da mesma matéria dos sonhos”, tradução mais conhecida em português, vem de um verso de William Shakespeare sobre a brevidade da vida. A frase está no texto da peça e ganha ainda mais força quando lida dentro da cena em que aparece.

Em que cena de A Tempestade Próspero diz essa frase?

A frase aparece no ato 4, cena 1, quando o mago Próspero interrompe de repente o espetáculo que havia criado para celebrar a união da filha, Miranda, com o príncipe Ferdinand. Os atores daquela festa eram espíritos, e eles se desfazem no ar quando o protagonista se lembra da traição tramada por Caliban.

No original em inglês, preservado na edição digital da Folger Shakespeare Library, o trecho diz “We are such stuff / As dreams are made on, and our little life / Is rounded with a sleep”. Em tradução livre: somos feitos da matéria de que os sonhos são feitos, e nossa pequena vida é cercada por um sono. Curiosamente, o verso termina em “on”, e não em “of”, como muita gente repete em inglês.

O que Shakespeare quis dizer com a matéria dos sonhos?

Shakespeare usa o fim da festa como imagem do fim de tudo. Antes do verso famoso, Próspero diz que as torres coroadas de nuvens, os palácios, os templos e “o próprio grande globo” vão se dissolver sem deixar rastro, como o espetáculo que acabou de sumir.

Próspero diz a frase no ato 4, cena 1, após interromper a celebração da união de Miranda e Ferdinand – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Para a Universidade de Liverpool, que publicou um texto sobre o trecho no blog de suas coleções especiais, a fala é metáfora do fim da apresentação. Num sentido mais amplo, fala do fim de todas as coisas pela morte, pela decadência e pela passagem do tempo.

Os sonhos, nessa leitura, viram a medida da existência humana: intensa, mas passageira. A palavra “sono” fecha a ideia, e uma leitura frequente vê a vida cercada de repouso antes do nascimento e depois da morte, uma imagem que soa mais como consolo do que como lamento.

Reflexões sobre os limites da condição humana também aparecem em pensadores clássicos. A série de citações do Oeste Geral traz uma delas, do filósofo estoico Epicteto.

Por que a fala dialoga com o palco do teatro elisabetano?

A fala conversa com o palco porque foi escrita por um homem de teatro, formado no teatro elisabetano, para ser dita diante de uma plateia. Quando Próspero menciona “o grande globo”, a expressão remete ao planeta e também ao Globe, o teatro da companhia do autor em Londres.

Uma nota de leitura da Eastern Washington University lembra que o Globe foi batizado e decorado para recordar ao público que o mundo inteiro é um palco. A ideia da vida como encenação era cara ao teatro elisabetano e atravessa várias peças do dramaturgo.

A expressão grande globo remete tanto ao mundo quanto ao Globe, teatro da companhia de Shakespeare – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A cronologia reforça o peso da cena. Segundo a Universidade de Liverpool, A Tempestade foi escrita entre 1610 e 1611, estreou em 1611 na corte e costuma ser apontada como a última peça que Shakespeare escreveu sozinho. A obra só chegou ao papel em 1623, no Primeiro Fólio, como registra a página da Folger sobre A Tempestade.

Como a reflexão de Próspero conversa com a vida de hoje?

A reflexão de Próspero continua atual porque trata de algo que não mudou em quatro séculos: a consciência de que o tempo passa e de que tudo o que construímos é provisório. Em vez de desespero, a fala sugere serenidade, já que o próprio mago acaba aceitando os limites do seu poder.

Há também uma lição sobre presença. Se a vida é breve como um sonho, faz sentido prestar atenção ao agora, às pessoas por perto e às pequenas alegrias do dia. Que tal reler a cena com calma, de preferência em voz alta, e perceber o que esse verso de Shakespeare desperta em você?

Para quem gosta de olhar o mundo com curiosidade, a ciência também guarda suas histórias de mistério. Esta vem do ponto mais fundo dos oceanos.

Fonte: https://revistaoeste.com/
Da Redação

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Sobre Jacy Ramos - Psicoterapeuta

Pedagoga, Teóloga, Pós Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Formação em Alta Performance, Especialista em Leitura Corporal e Comportamental. Me encontrei na Psicologia, onde pude compreender alguns aspectos que só através do autoconhecimento pude entender. E assim, olhar o outro como ser, Ser Humano, que pode ressignificar o passado e assim viver livre. Agende uma Consulta +559699136-9804 [email protected]

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