Perícia médica é etapa obrigatória para concessão e continuidade de alguns benefícios do INSS. — Foto: Fabiane de Paula/SVM

Quais são as doenças e profissões mais associadas a afastamentos por saúde mental na região de Ribeirão e Franca

Quais as doenças emocionais associadas a afastamentos do trabalho?

De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, do Ministério Público do Trabalho (MPT) com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as principais doenças associadas à saúde mental no trabalho nas principais cidades da região de Ribeirão Preto são:

  • episódios depressivos
  • outros transtornos ansiosos
  • transtornos fóbico-ansiosos

Transtorno depressivo recorrentereações ao stress gravetranstornos de adaptação transtorno afetivo bipolar também aparecem nas estatísticas, em menor proporção.

As estatísticas são ligadas tanto a afastamentos motivados ou não motivados por acidentes de trabalho.

Segundo Marina Sticca, professora Associada do departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, a gravidade de um transtorno mental não é determinada apenas pelo nome da doença, mas sim pela intensidade dos sintomas, sua duração, o impacto na vida da pessoa e como ela responde ao tratamento.

“Para identificar os fatores que levam ao adoecimento mental é necessário realizar uma avaliação sistemática dos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho”, explica.

Quais são as profissões com mais afastamentos por saúde mental?

Segundo o levantamento, as áreas com maior incidência de afastamentos por saúde mental são as ligadas a atendimento médico hospitalar, bancos e comércio varejista. Atividades ligadas a correios e administração pública também se destacam nas maiores cidade da região. Entre elas, algumas profissões predominaram.

📌Em Ribeirão Preto, onde foram registrados 2.984 afastamentos em 2024, os maiores índices de afastamento ocorreram entre técnicos de enfermagem, vigilantes, auxiliares de escritório e vendedores.

Os males invisíveis do trabalho para a saúde mental — Foto: Adobe Stock

📌Em Franca, com 1.561 afastamentos, destaque para operadores de caixa, auxiliar de escritório, vendedor e preparador de calçados – levandos-se em conta que a cidade é um forte polo produtor de sapatos.

📌Em Sertãozinho, com 337 afastamentos por saúde mental, além de operador de caixa e vendedor, gerente de banco e faxineiro estiveram em alta nas estatísticas da Organização Internacional do Trabalho.

📌Em Barretos, onde 402 ocorrências de afastamento foram contabilizadas, as maiores taxas de afastamento por saúde mental ocorreram entre técnicos de enfermagem, auxiliares de escritório, além de alimentador de linha de produção.

📌Em Bebedouro, com 188 afastamentos no último levantamento, destaque para gerente de banco, vendedor e ainda trabalhador de cultivo de árvores frutíferas – a cidade é um forte produtor de laranja.

📌Em Jaboticabalengenheiros de produçãoassistentes administrativos e cozinheiros industriais foram as profissões predominantes entre os 155 casos de afastamento.

Disponibilidade emocional e pressão social são fatores relevantes

Como se vê nas profissões mencionadas, a interação contínua com o público é um dos principais gatilhos para o esgotamento, por conta da necessidade de disponibilidade emocional, segundo Marina Sticca.

“O elemento comum entre essas ocupações é a necessidade de manter um elevado envolvimento emocional com outras pessoas, frequentemente diante de conflitos, reclamações, sofrimento ou cobranças constantes”, afirma.

Ela analisa que o risco é maior quando esse contato ocorre sob alta pressão e baixo suporte organizacional.

“Historicamente, a Síndrome de Burnout foi descrita justamente em profissionais que trabalham diretamente com pessoas, como profissionais da saúde, professores e assistentes sociais. Atualmente, sabe-se que ela também afeta trabalhadores de bancos, comércio, teleatendimento e serviços em geral.”

Para João Augusto, outra questão que influencia é a cultura da crítica agressiva nas redes sociaisque migrou para o mundo real e atinge principalmente professores, profissionais da saúde e atendentes, inclusive com episódios de desrespeito.

Essa pressão, somada a metas inalcançáveis no setor comercial e bancário, cria um ambiente fértil para o desenvolvimento de Síndrome do Pânico e Burnout.

“Pessoas com profissões que lidam com a área social, exposição a episódios ligados à violência ou perigo constante podem desencadear síndrome do pânico, transtorno de estresse pós-traumático, depressão profunda.”

O que explica o recorde de afastamentos por transtornos mentais?

O aumento expressivo não pode ser reduzido a um único motivo, mas a uma combinação de fatores estruturais e conjunturais.

A professora Marina Greghi Sticca destaca que o período pós-pandemia de Covid-19 intensificou as demandas, a sobrecarga e a insegurança econômica, afetando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Além disso, houve um avanço no reconhecimento institucional: em 2023, a atualização da lista de doenças relacionadas ao trabalho passou a incluir formalmente a Síndrome de Burnout.

A visibilidade dos dados também melhorou devido a mudanças nos sistemas de registro do INSS. Desde 2007, o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) permite que o órgão identifique doenças ocupacionais mesmo sem a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) pela empresa.

“Essa mudança ampliou a identificação dos casos pelos serviços de saúde e facilitou seu enquadramento como doença ocupacional, quando existe nexo com a atividade laboral.”

Segundo João Augusto, também conta a a digitalização da vida, em que a velocidade das redes sociais e o excesso de informações sobrecarregam o cérebro, que não consegue lidar com tamanha demanda simultânea.

“Nos treinamentos e formações que realizo, muitos trabalhadores e trabalhadoras se queixam de que são obrigados a escutar as mensagens de clientes, pelo celular, na velocidade 2.0, acelerando a voz de todas as pessoas. Só assim conseguem dar conta. E isso, claro, é um fator de adoecimento.”

Como um transtorno de saúde mental se torna um acidente de trabalho?

Na legislação brasileira, o termo “acidente” não abrange apenas eventos súbitos, mas também doenças ocupacionais desenvolvidas pelas condições de trabalho. É por isso quem segundo Marina, o INSS diferencia o benefício previdenciário comum (B31) do acidentário (B91).

Este último é aplicado quando fica comprovado o nexo entre o adoecimento, como depressão ou ansiedade, e fatores como metas excessivas ou jornadas prolongadas.

O impacto mental também reflete na segurança física. Transtornos psíquicos comprometem funções cognitivas como atenção, memória e concentração.

“Como consequência, trabalhadores com sofrimento psíquico importante podem apresentam maior probabilidade de cometer erros operacionais ou sofrer acidentes. Nesses casos, o acidente registrado pelo INSS é físico, mas o transtorno mental pode ter contribuído para sua ocorrência ao reduzir a capacidade de atenção e julgamento do trabalhador”, afirma a professora da USP.

Segundo João Augusto, o excesso de tarefas simultâneas, a chamada sobrecarga cognitiva, gera prejuízos psicológicos, físicos, emocionais e sociais, o que aumenta a probabilidade de erros operacionais que resultam em acidentes físicos.

“Tudo isso está ligado ao adoecimento mental, que pode ser grave e deixar sequelas.”

Quais são os riscos psicossociais e como eles afetam as empresas?

Os riscos psicossociais originam-se na forma como o trabalho é organizado e gerido.

João Augusto exemplifica esses riscos como a falta de autonomia, cobranças humilhantes, assédio, isolamento e a ausência de clareza na comunicação.

Marina Sticca reforça que a gravidade desses episódios depende da intensidade e duração dos sintomas, exigindo uma avaliação sistemática do ambiente para identificar o que de fato está adoecendo o colaborador.

É nesse contexto que a nova norma regulamentadora (NR-1) exige que as empresas realizem o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), incluindo fatores psicossociais e de maneira contínua.

“Não há lógica em esperar dar o horário de saída do emprego para uma pessoa poder se sentir feliz”, afirma João Augusto.

Para o cientista político, o primeiro passo para as empresas é promover espaços de escuta real, indo além da burocracia.

“Não é uma avaliação clínica do trabalhador, de toda a sua vida, mas se o trabalho, em si, pode afetar sua saúde psicológica, emocional, social. (…) É preciso promover um ambiente em que haja apoio, suporte, diálogo, clareza na função, transparência, metas atingíveis, pausas, jornadas sem sobrecarga ou excessivas, ações de reconhecimento à importância de cada pessoa para o dia a dia da empresa.”

Por Rodolfo Tiengo, g1 Ribeirão Preto e Franca

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Sobre Jacy Ramos - Psicoterapeuta

Pedagoga, Teóloga, Pós Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Formação em Alta Performance, Especialista em Leitura Corporal e Comportamental. Me encontrei na Psicologia, onde pude compreender alguns aspectos que só através do autoconhecimento pude entender. E assim, olhar o outro como ser, Ser Humano, que pode ressignificar o passado e assim viver livre. Agende uma Consulta +559699136-9804 [email protected]

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